Eu vi o fim do Orkut, e agora assisto ao ocaso do Facebook. Os dias do ocaso são alanrajdos, como um permanente pôr do sol. As pessoas, poucas, andam lentamente de um lado para o outro, entram e saem de seus esconderijos e passam o resto do dia lá dentro, fazendo ninguém sabe o quê.
Nós aqui já vimos muitas coisas, os da minha geração assistiram ao fim do império soviético. Eu estava no banco, e um colega trouxe um jornal: “olha prá isso aqui, Ubaldino!”. Mas deparava-me no momento com uma diferença no caixa, pouca, mas sabe como é, e não dei muita atenção. Ao final do expediente, já exausto e totalmente esquecido do jornal, fui visitar a minha nova namoradinha, linda, pele rosada, cabelos loiros, lábios avermelhados, um doce. Não era o momento de lembrar-se do fim da União Soviética. Já havia passado o Natal, é verdade, mas havia o clima natalino ao redor. E aproximava-se o Ano Novo. E eu com uma namoradinha nova.
Meses depois, descobri que ela amava um outro cara, e fugiu com ele. Num Corcel. Ele tinha um Corcel amarelo, disseram-me. Senti uma pontada. Foi aí que o meu mundo caiu.
Junho de 2025